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PET Comunidades Populares participa de encontro cultural na Comunidade do Mojó

Por: Allan Potter - UFMA

No sábado, 28, o Programa de Educação Tutorial (PET) Conexões de Saberes Comunidades Populares da Universidade Federal do Maranhão, juntamente com o Fórum do Estado do Maranhão de Cinema Negro e Indígena, participaram do I Encontro de Interação Cultural na comunidade do Mojó, promovido pela Ong Arte Mojó. A atividade contou com o projeto cine-mangue, debates sobre questões ambientais e o cinema negro e indígena, almoço comunitário e um passeio náutico.  

Elio de Jesus Pantoja, tutor do PET Conexões de Saberes Comunidades e docente do Departamento de Sociologia e Antropologia (Desoc) da UFMA, informou que o Mojó pode ser designado como uma comunidade popular, tendo como principal meio de vida os recursos extraídos da região dos manguezais, como a pesca e a extração de mariscos. “É um ambiente em que os moradores têm uma relação muito forte, perpassando pela utilização dos usos sociais, sendo um ambiente de trabalho desses moradores. É muito importante ter sensibilização de preservação dos moradores e do poder público e de todos aqueles se beneficiam de forma direta e indireta desse ecossistema”, pontuou.

Ele ainda frisou que a Universidade contribui fomentando pensamento de preservação entre os órgãos e indivíduos que se beneficiam dos manguezais, por meio de atividades sobre a tríade da pesquisa, ensino e extensão. “O PET tem muito a contribuir com essas ações, uma vez que, já desenvolvemos atividades nesse caráter na comunidade do Porto do Mocajutuba, que também pertence ao município de Paço do Lumiar. É uma das filosofias do Programa: compreender e fortalecer os saberes tradicionais”, destacou.

O tutor ainda comentou que, ao fazer pesquisa, a academia precisa compreender e respeitar o conhecimento adquirido na comunidade, considerando a cosmologia do imaginário e a construção simbólica com esse ambiente. “Essa é uma questão importante que deve ser considerada na produção do conhecimento, isso permite que os participantes desse encontro fortaleçam esse entendimento como um princípio preservacionista das áreas de manguezais, para que essa comunidade permaneça respeitando os seus modos de vida e detendo compreensão sistêmica ecológica”, salientou.  

Para Jô Brandão, representante do Fórum Estadual de Cinema Negro e Indígena, esse momento possibilita trocas de experiências e de vivências sobre a realidade da comunidade. “A partir deste encontro, o fórum pode pensar como pode colaborar com a linguagem de cinema na comunidade, despertando entre os participantes a criação e a utilização dessa arte no processo formativo, trilhando caminhos por meio da criação do autorregistro, da autoimagem e da autorrepresentação, esta última como metodologia identitária nesse universo. É importante pensar também em mecanismos de formação desta comunidade para que se possam criar ferramentas próprias de comunicação e de instrumentalização”, finalizou.

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História da ONG Arte Mojó

A ONG Arte Mojó foi criada em 1996, por Graça Maria Oliveira Soares, licenciada em Educação Artística pela UFMA, professora em arte e educação, atriz, artista visual e ambientalista. “Tudo surgiu com o desenvolvimento de minha monografia, na qual eu desenvolvi uma ação social com as crianças da comunidade. Na época, a comunidade não tinha energia elétrica, água encanada e transporte coletivo. A proposta era trabalhar com recursos da própria comunidade, por meio de atividades lúdicas. Foi uma vivência espetacular. Fiz um teatro entre as crianças, inclusive”, contextualizou.

Atualmente, a ONG possui 30 membros, composto por moradores e pesquisadores do município de São Luís e desenvolve diversas atividades no Mojó. “A ONG tem por principal objetivo trabalhar questões em torno da preservação e educação ambiental. A Arte é o principal instrumento de educação ambiental na comunidade, sobre o dilema da proteção, pesquisa e ensino. Espero deixar um legado para a comunidade, para que seus moradores reflitam sobre a importância da preservação e o amor pela natureza”, reforçou.

Um dos principais projetos da ONG é “O mangue sem lixo”, que desenvolve duas ações: a Oficina de Carpintaria, que está em processo de implementação e que tem como público-alvo os jovens da comunidade, e o Cine Mangue, que exibe peças audiovisuais de conscientização sobre os impactos ambientais nas regiões de manguezais em pontos estratégicos da comunidade, além do desenvolvimento de atividades em torno do artesanato sustentável, com a criação e desenvolvimento do Núcleo de Tecelagem entre as mulheres e do projeto Moveis da Maré, que fabrica a partir da madeira trazida pelas correntes marítimas.

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